Há uma armadilha espiritual muito comum: transformar a vida cristã numa investigação constante sobre nós mesmos. A pergunta deixa de ser “quem é Cristo?” e passa a ser “como está minha fé?”.
A salvação continua sendo confessada como obra da graça, mas, na prática, a certeza começa a depender da nossa capacidade de encontrar sinais suficientes de sinceridade, arrependimento e obediência.
A Escritura realmente fala de frutos e de autoexame. Paulo manda examinarmos a nós mesmos, e João diz que sabemos que conhecemos a Deus se guardamos os seus mandamentos. O problema começa quando os frutos deixam de ser confirmação e se tornam fundamento. Quando isso acontece, a alma entra num ciclo sem fim: “Vejo alguns frutos… mas serão suficientes? Minha fé é genuína? Meu arrependimento é profundo o bastante?” E a paz desaparece.
O evangelho, porém, não nos manda encontrar segurança na intensidade da nossa experiência espiritual. Ele nos manda olhar para Cristo. A fé salva não porque é forte, mas porque se apega a um Salvador forte. O fundamento da certeza não está na qualidade da nossa análise interior, mas na obra objetiva de Cristo por nós.
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