"O primeiro mal-entendido do estado intermediário, comumente conhecido como “sono da alma”, é que após a morte de um crente, a alma “dorme” até o dia da ressurreição. Nessa visão, não há consciência de estar na presença do Senhor desde o momento em que morremos até que despertamos no dia da volta de Jesus. Nós morremos e depois “dormimos” até que Cristo volte. Essa visão foi abordada por João Calvino em seu primeiro grande tratado teológico, um livro com o título cativante Psychopannychia. O erro aqui é que a morte traz um estado inconsciente, muito parecido com o sono. Os crentes não se lembram de nada desde o momento em que dão seu último suspiro até que despertam na ressurreição. Mas essa visão não pode explicar as passagens bíblicas mencionadas que falam claramente da presença consciente de um crente com o Senhor imediatamente após a morte, experimentando as glórias da cena celestial descrita em Ap 4–6".[1]
Há várias passagens nas Sagradas Escrituras que apontam para
a existência consciente dos mortos antes da ressurreição final:
- A Bíblia ensina sobre uma "comunhão consciente" do crente com o Senhor após a morte. Em 2 Coríntios 5.8, Paulo afirma que deseja “deixar este corpo” para “habitar com o Senhor”. Em Filipenses 1.23, o apóstolo deseja “partir” para “estar com Cristo”, o que é “muito melhor”.
- A declaração de Jesus para o ladrão arrependido na cruz de que estaria com ele “hoje [...] no paraíso” (Lucas 23:43) aponta para um estado consciente e de benção logo após a morte.
- Em Apocalipse 6:9-1, João tem uma visão das almas dos mártires pedido a Deus que faça justiça, o que aponta para a consciência delas nesse estado intermediário.
- A parábola do Rico e Lazaro feita por Jesus (Lucas 16:19-31) sugere algum tipo de consciência daqueles que já morreram e antes do estado do estado eterno.[2]
As principais explicações para o uso do termo “dormir” no NT é para mostrar:
- A temporalidade da morte para os crentes, tal como o sono é uma condição temporária, da qual eles serão despertados no dia da ressurreição. O texto de João 11.11-14 mostra que o uso do termo “dormir” não tem sentido literal.
- Que a morte não é um inimigo invencível, Cristo é aquele que ressuscita mortos. Ver o texto sobre a ressureição da filha de Jairo em que o termo aparece (Mateus 9.24).
- Que os justos estão descansando. Assim como dormir está associado ao descanso físico, no NT quando o crente morrer ele descansa das labutas desta vida (Apocalipse 14:13).
"A razão pela qual a morte dos piedosos é chamada de sono nas Escrituras é esta: porque há uma semelhança adequada entre ela e o sono natural; cuja semelhança consiste principalmente nessas coisas. No sono corporal, os homens descansam dos trabalhos da mente e do corpo. Assim, os fiéis, morrendo no Senhor, são ditos descansar de seus trabalhos ( Apocalipse 14:13 ). 2. Após o sono natural, os homens estão acostumados a acordar novamente; assim, após a morte, os corpos dos santos serão despertados, ou seja , ressuscitados para a vida de seus túmulos..." [3]
- Que a morte física e a morte eterna não se confundem. Para o crente a morte física não significa a separação eterna de Deus. Assim como o sono é temporário, assim é a morte.
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[1] https://ministeriofiel.com.br/artigos/o-estado-intermediario/
[2]https://www.chamada.com.br/mensagens/como_entender_a_morte_e_o_estado_intermedi%C3%A1rio.html
[3]https://biblehub.com/sermons/auth/petter/why_death_of_the_godly_is_called_sleep.htm
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