quarta-feira, 29 de abril de 2026

NATUREZA DOS PACTOS


Nessa mesma linha, cumpre destacar que os pactos não decorrem naturalmente da relação entre Criador e criatura. Trata-se de uma disposição graciosa de Deus, por meio da qual Ele se compromete a conceder benefícios que, de outro modo, não seriam devidos. Renihan observa que os pactos envolvem promessas e obrigações que transcendem a ordem natural, incluindo benefícios como vida eterna, herança e salvação, bem como mandamentos específicos que acompanham tais promessas:

 

As alianças ou pactos, [...] não são arranjos naturais. Pactos envolvem a distribuição de benefícios, livremente prometidos ou condicionados a alguma ação, que de outra forma não estariam disponíveis para a criatura, como a confirmação da vida eterna, a terra de Canaã, a realeza sobre Israel ou a salvação no sangue de Cristo. Os pactos incluem obrigações além daquelas que são exigidas naturalmente, como o mandamento relativo às árvores no Éden, o mandamento da circuncisão ou o mandamento do batismo. Pactos são arranjos providos por Deus que estão além do relacionamento natural Criador-criatura. (RENIHAN, 2021. Não paginado)

 

Os pactos, portanto, são estabelecidos em favor do homem, ainda que não impliquem qualquer benefício para Deus. Coxe ressalta que não pode haver relação de benefício mútuo entre Deus e suas criaturas, pois tudo o que o homem possui já provém do próprio Deus. Assim, a aliança expressa unicamente a generosidade divina, e não qualquer necessidade ou vantagem por parte do Criador:

 

[...] não pode haver um pacto de benefício mútuo entre Deus e os homens como pode haver entre um homem e outro. Pois o ser e o bem-estar de todas as criaturas necessariamente dependem da generosidade de seu Criador. Não há nada que eles tenham que não tenha recebido dele e, portanto, o melhor deles nada pode oferecer senão o que é devido a Deus pela lei da criação. Ninguém pode ser proveitoso para Deus [...]. (COXE, apud COXE; OWEN, 2021, p.71)

 

 

A Confissão de Fé Batista de 1689 (2019, p. 46–47) reconhece esse princípio ao afirmar que o homem jamais poderia alcançar a vida senão por meio de uma condescendência voluntária de Deus, expressa na forma de aliança. Tal afirmação evidencia que a estrutura pactual é o meio pelo qual Deus se relaciona redentivamente com a humanidade.

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