Nas Escrituras, as alianças
surgem da iniciativa divina de estabelecer relacionamento com os homens criados
à sua imagem. Gentry e Wellum (2021, p. 127) destacam que, no cerne da aliança,
encontra-se a fórmula pactual: “Eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo”.
Palmer Robertson (2011, p. 46) reforça que o propósito último da aliança
consiste na intenção de Deus de formar para si um povo. É justamente esse
caráter relacional que distingue a aliança de um contrato: enquanto este é
essencialmente impessoal, aquela é marcada por vínculos pessoais e
comprometimento mútuo (SCHREINER, 2021, p. 16).
Importa observar que a noção de
pacto não era estranha ao mundo antigo. No contexto do Antigo Oriente Próximo,
eram comuns tratados semelhantes, como os tratados de suserania e de concessão
real, cujo foco recaía sobre honra e relações interpessoais (GENTRY; WELLUM,
2021, p. 51–52, 61). Todavia, as alianças bíblicas se distinguem por sua origem
e natureza, pois são estabelecidas soberanamente por Deus, em plena liberdade
(HORTON, 2020, p. 23–24).
Coxe enfatiza que o pacto é,
antes de tudo, iniciativa divina, expressão da bondade e sabedoria de Deus. Não
é o homem que entra em aliança com Deus por iniciativa própria, mas é Deus
quem, soberanamente, estabelece os termos do relacionamento pactual. Como
afirma, os termos da aliança são definidos exclusivamente pela majestade
divina, sendo fruto de sua condescendência graciosa:
O pacto é iniciativa de Deus.
Como Cristo disse aos seus discípulos em certa ocasião: “Não me escolheste vós
a mim, mas eu vos escolhi a vós” (João 15:16).
Então podemos dizer que o homem nunca entrou em um pacto com Deus, mas
que foi Deus que entrou em um pacto com o homem. Os termos de um relacionamento
pactual entre Deus e suas criaturas são estabelecidas unicamente por sua
majestade soberana, e é por causa de sua infinita bondade e sabedoria que Ele
propõe, escolhe e ordena tal aliança. Assim, o pacto que ele fez com os homens
é frequentemente chamado na Escritura de aliança do Senhor, como aparece em
Salmo 25:14, Isaias 56:4, 6 e em outras passagens. (COXE, apud COXE; OWEN, 2021,
p.70)
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