quarta-feira, 29 de abril de 2026

AS ALIANÇAS E A INICIATIVA DIVINA

 

Nas Escrituras, as alianças surgem da iniciativa divina de estabelecer relacionamento com os homens criados à sua imagem. Gentry e Wellum (2021, p. 127) destacam que, no cerne da aliança, encontra-se a fórmula pactual: “Eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo”. Palmer Robertson (2011, p. 46) reforça que o propósito último da aliança consiste na intenção de Deus de formar para si um povo. É justamente esse caráter relacional que distingue a aliança de um contrato: enquanto este é essencialmente impessoal, aquela é marcada por vínculos pessoais e comprometimento mútuo (SCHREINER, 2021, p. 16).

Importa observar que a noção de pacto não era estranha ao mundo antigo. No contexto do Antigo Oriente Próximo, eram comuns tratados semelhantes, como os tratados de suserania e de concessão real, cujo foco recaía sobre honra e relações interpessoais (GENTRY; WELLUM, 2021, p. 51–52, 61). Todavia, as alianças bíblicas se distinguem por sua origem e natureza, pois são estabelecidas soberanamente por Deus, em plena liberdade (HORTON, 2020, p. 23–24).

Coxe enfatiza que o pacto é, antes de tudo, iniciativa divina, expressão da bondade e sabedoria de Deus. Não é o homem que entra em aliança com Deus por iniciativa própria, mas é Deus quem, soberanamente, estabelece os termos do relacionamento pactual. Como afirma, os termos da aliança são definidos exclusivamente pela majestade divina, sendo fruto de sua condescendência graciosa:

 

O pacto é iniciativa de Deus. Como Cristo disse aos seus discípulos em certa ocasião: “Não me escolheste vós a mim, mas eu vos escolhi a vós” (João 15:16).  Então podemos dizer que o homem nunca entrou em um pacto com Deus, mas que foi Deus que entrou em um pacto com o homem. Os termos de um relacionamento pactual entre Deus e suas criaturas são estabelecidas unicamente por sua majestade soberana, e é por causa de sua infinita bondade e sabedoria que Ele propõe, escolhe e ordena tal aliança. Assim, o pacto que ele fez com os homens é frequentemente chamado na Escritura de aliança do Senhor, como aparece em Salmo 25:14, Isaias 56:4, 6 e em outras passagens. (COXE, apud COXE; OWEN, 2021, p.70)

 

 

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