Outro aspecto fundamental é o caráter
representativo das alianças. Em regra, os pactos são estabelecidos com pessoas
públicas, isto é, com representantes, e, por meio deles, com todos aqueles que
representam. Em Romanos 5:12–21 (ARA), por exemplo, Adão é apresentado como
cabeça federal de toda a humanidade, enquanto Cristo figura como representante
da nova humanidade, composta pelos eleitos (MURRAY, 2003, p. 205).
Nesse ponto, a Confissão de Fé de
Westminster é clara ao reconhecer, em sentido estrito, a representação federal
propriamente dita nesses dois polos: Adão e Cristo. Em ambos os casos, há
imputação direta; da culpa, no primeiro; da justiça, no segundo, o que os
qualifica como cabeças federais em sentido técnico e rigoroso.
Coxe, porém, destaca que Deus, ao
estabelecer seus pactos, frequentemente o faz por meio de cabeças
representativas, de modo que os benefícios e responsabilidades da aliança se
estendem aos que estão unidos a esses representantes. Tal princípio alcança sua
expressão máxima em Cristo, cabeça da nova aliança, em quem todas as promessas
são confirmadas e por meio de quem os participantes recebem vida, graça e
capacitação para corresponder aos termos pactuais:
[...] quando Deus fez pactos,
nos quais a humanidade em geral ou algum número seleto de homens em particular
estavam envolvidos, agradou ao Senhor primeiro lidar ou transacionar com
algumas pessoas públicas, cabeças ou representantes de todos os outros que
estariam envolvidos neles. Assim o foi no pacto da criação que Deus fez com
Adão em seu estado de retidão e com toda a humanidade nele. E o mesmo deve ser
observado acerca do pacto noético como também acerca dos pactos feitos com
Abraão, os crentes reivindicam as bênçãos do pacto de graça que foi feito com
ele. E em consequência do relacionamento natural com Abraão, sua descendência
segundo a carne reivindicava seus direitos e privilégios daquela aliança
peculiar que primeiro foi feita com ele, como cabeça daquele povo separado.
Mas, ainda mais eminentemente, é o Pacto da Graça, estabelecido em Cristo como
o cabeça. Todas as suas promessas foram primeiramente dadas a ele, e nele são o
sim e o amém. É pela união com ele que os cristãos obtêm a participação em uma
Nova Aliança e dele recebem uma nova vida, graça e força para responder os fins
da Nova Aliança. (COXE, apud COXE; OWEN, 2021, p.76, 77)
Todavia, no que concerne às alianças
históricas, noética, abraâmica, mosaica e davídica, a linguagem de “cabeça
federal” deve ser empregada com a devida cautela. Embora se observe nelas um
princípio representativo, não se está diante de federalismo em sentido próprio,
tal como ocorre em Adão e Cristo. Figuras como Noé, Abraão, Moisés e Davi atuam
de forma subserviente, ou seja, como representantes históricos e mediadores das
respectivas administrações pactuais, mas não como cabeças federais no sentido
técnico de imputação direta de culpa ou justiça.
Assim, nessas alianças, a representação
deve ser compreendida como: (i) histórica e administrativa, enquanto
instrumento da execução do pacto na história; (ii) tipológica, na medida em que
aponta para Cristo; e (iii) subordinada ao pacto da graça, cuja substância
permanece una ao longo de suas diversas administrações.
Para concluir, importa destacar que a
teologia reformada clássica, conforme sistematizada pela Confissão de Fé de
Westminster, estrutura os pactos de modo fundamental a partir de duas grandes
categorias: o pacto de obras, estabelecido com Adão antes da queda, e o pacto
da graça, por meio do qual Deus provê a salvação aos eleitos em Cristo. Este
último é administrado de diversas maneiras ao longo da história redentiva,
abrangendo as alianças bíblicas, sem diversidade de substância.
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