quinta-feira, 30 de abril de 2026

AS DUAS DESCENDÊNCIAS

 

Da leitura de Gênesis, verifica-se o progressivo estabelecimento de uma linhagem de pessoas agraciadas com o amor especial e eletivo de Deus, restando demarcada a existência de dois troncos no seio da raça humana (GOLDSWORTHY, 2018, p.117-120). De um lado, encontra-se a descendência ímpia; de outro, a semente da mulher, por meio da qual a promessa redentiva é preservada ao longo da história (Gn 4.11).

O comentarista da Bíblia de Estudo NAA, ao tratar desse ponto, destaca que o tema da descendência da mulher ganha contornos mais definidos a partir de Gênesis 4.25:

 

O tema da descendência da mulher inicia-se em Gênesis 4.25 como o nascimento de Sete; a partir daí, o restante do livro de Gênesis traça a linhagem dos descendentes de Sete observando que ela fatalmente desembocará em um rei por meio do qual todas as nações da terra serão abençoadas [...]. (NAA,2023, p.34)

 

 

Esse desenvolvimento narrativo não apenas confirma a centralidade da promessa, mas também evidencia a estrutura corporativa da revelação veterotestamentária, na medida em que a história redentiva é conduzida por meio de uma descendência específica, tratada como portadora das promessas divinas ao longo das gerações.

Após a morte de Abel, nasce Sete, que passa a ocupar o seu lugar na linhagem pactual e a encabeçar a linha por meio da qual Deus conduzirá o seu propósito redentivo. Tal distinção não é acidental, mas intencional. De Adão até Noé, observa-se uma linha contínua que se desenvolve a partir de Sete, em contraste com a linhagem de Caim (GOLDSWORTHY, 2018, p.116).

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