Da leitura de Gênesis,
verifica-se o progressivo estabelecimento de uma linhagem de pessoas agraciadas
com o amor especial e eletivo de Deus, restando demarcada a existência de dois
troncos no seio da raça humana (GOLDSWORTHY, 2018, p.117-120). De um lado,
encontra-se a descendência ímpia; de outro, a semente da mulher, por meio da
qual a promessa redentiva é preservada ao longo da história (Gn 4.11).
O comentarista da Bíblia de
Estudo NAA, ao tratar desse ponto, destaca que o tema da descendência da mulher
ganha contornos mais definidos a partir de Gênesis 4.25:
O tema da descendência da mulher inicia-se em Gênesis 4.25
como o nascimento de Sete; a partir daí, o restante do livro de Gênesis traça a
linhagem dos descendentes de Sete observando que ela fatalmente desembocará em
um rei por meio do qual todas as nações da terra serão abençoadas [...].
(NAA,2023, p.34)
Esse
desenvolvimento narrativo não apenas confirma a centralidade da promessa, mas
também evidencia a estrutura corporativa da revelação veterotestamentária, na
medida em que a história redentiva é conduzida por meio de uma descendência
específica, tratada como portadora das promessas divinas ao longo das gerações.
Após a morte de Abel, nasce
Sete, que passa a ocupar o seu lugar na linhagem pactual e a encabeçar a linha
por meio da qual Deus conduzirá o seu propósito redentivo. Tal distinção não é
acidental, mas intencional. De Adão até Noé, observa-se uma linha contínua que
se desenvolve a partir de Sete, em contraste com a linhagem de Caim
(GOLDSWORTHY, 2018, p.116).
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