sexta-feira, 31 de maio de 2024

APONTAMENTOS SOBRE AS CRENÇAS DOS BATISTAS PRIMITIVOS

 APONTAMENTOS SOBRE AS CRENÇAS DOS BATISTAS PRIMITIVOS

Interessante observar que os batistas primitivos se identificam como calvinistas, mas demonstram crenças peculiares e que diferem inclusive da posição da CFBL de 1689.

Um teólogo que citam bastante é o John Gill.


1. BATISTAS PRIMITIVOS VERSUS AMIRALDISMO – CALVINISMO DE QUATRO PONTOS

Nesse ponto, os primitivos e calvinistas estão juntos em sua critica a ideia de uma expiação universal.

Expiação particular versus expiação Universal.

Problema: a expiação universal torna a expiação uma possibilidade.

Defesa: A morte de Cristo foi destinada apenas a salvação dos eleitos.

Qual - o propósito- da crucificação no mundo real? Uma vez que foi planejado na mente de Deus escolher os eleitos, o efeito final disso é a salvação dos eleitos. 

O ponto nevrálgico diz respeito a concepção de expiação. Se a morte de Jesus foi uma expiação real para o pecado do povo eleito, o grande resultado será a liberação dos eleitos e somente deles da penalidade do pecado.

Se há redenção real, a pessoa redimida precisa ser colocada em liberdade.

Os calvinistas de quatro pontos advogam que que Cristo morreu por todas as pessoas (redimíveis), mas apenas os eleitos receberão a salvação no final.

Os calvinistas de 4 pontos erram quando ficam no campo hipotético pensando no que aconteceria se todas as pessoas cressem (seriam salvas), quando sabem que isso nunca acontecerá no mundo real. E não acontecerá porque Deus escolheu um povo para si. Os defensores dessa posição dispensam a depravação total do campo hipotético.

Se Deus amasse todas as pessoas com o mesmo tipo de amor (amor complacente – consideração minha) a ponto de conceber que seu próprio Filho morresse por eles, então seria totalmente impensável que Deus não fizesse qualquer coisa para livrá-los da condenação eterna (Rm 8.32).

O que seria mais incoerente com a eternidade e a imutabilidade de Deus, amar o réprobo da mesma forma que ama o eleito e depois derramar sobre indignação e ira.

Como tal afirmação poderia ser conciliada com os textos que falam do amor eterno de Deus por nós (Jr 31.3; Ml 3.6; Rm 8.28-39; Hb 13.8).

João 6.37-40 – A morte de Cristo não foi indiscriminada, mas seus objetos são distinguidos por sua crença nele.

Muitos não creem porque não são suas ovelhas – (Jo 10.26).

Jesus deu a vida por suas ovelhas (Jo 15.11). As suas ovelhas ouvem a sua voz e o seguem (Jo 10.27).

Textos importantes sobre a expiação – Mt 1.21; Jo 10.11; Jo 11.51; Jo 15.13; Jo 17.1; Rm 8.32-33; Ef 5.23; Tt 2.14; Hb 9.15.

Observação: os batistas primitivos advogam que o descarrilar dos batistas das fileiras calvinistas para a arminiana se deve a ideia de Moses Amyraut defendidas e popularizadas pelos Fulleristas.


2. BATISTAS PRIMITIVOS E O AMOR DE DEUS

Observei das leituras que os batistas primitivos, tem uma certa dificuldade de afirmar que Deus ama o réprobo. Observei também que eles não fazem qualquer distinção entre o amor benevolente e complacente.

Advogam que uma vez que aqueles que persistem na incredulidade estão debaixo da ira de Deus, não há como afirmar que Deus ama o pecador.

Afirmam que nenhuma pregação dos apóstolos aos não convertidos dizia que Deus os amava em Cristo. Textos citados:

At 2.14-39

At 3.12-26

At 4.8-12; At 7.2-53

At 10.28-48

At 13.16-41

At 16.28-31

At 17.22-31

At 22.1-21; At 24.10-21

At 26.2-29


Deus ama, ama absolutamente, ama incondicionalmente e ama para sempre os crentes e apenas os crentes.

Observação. No sentido em que eles estão apontando “um amor em Cristo”, nessa esteira Deus realmente ama só os eleitos. Contudo, isso não exclui o amor benevolente de Deus por suas demais criaturas (consideração minha).

Os eleitos estão debaixo do amor peculiar de Deus.

Sl 93.11-12; 1 Co 11.32; Hb 12.6-8; Ap 3.19.


3. BATISTAS PRIMITIVOS E A OFERTA GRATUITA

Outra dificuldade dos batistas primitivos é aceitar o uso dos termos “oferta gratuita do evangelho” ou “convite”. Preferem o termo “chamado”.

A mensagem do Evangelho é uma convocação a que o individuo creia em fatos objetivos sobre o salvador. Quando pecadores penitentes são levados a acreditar que Jesus é a solução para o pecado, então a Biblia lhes promete que Jesus é a solução para o pecado.

Os não eleitos nunca acreditarão nisso. Para esses Deus envia a sua palavra pregada para torna-los indesculpáveis e para demonstrar a natureza indigna e corrupta deles (Fl 1.28; 2 Co 2.15-16; Lc 11.49,50; Jo 9.39; At 7.52; Mt 23.34; Jr 1.17-19; Ez 3.1-7).

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