APONTAMENTOS SOBRE AS CRENÇAS DOS BATISTAS PRIMITIVOS
Interessante observar que os batistas primitivos se identificam como calvinistas, mas demonstram crenças peculiares e que diferem inclusive da posição da CFBL de 1689.
Um teólogo que citam bastante é o John Gill.
1. BATISTAS PRIMITIVOS VERSUS AMIRALDISMO – CALVINISMO DE QUATRO PONTOS
Nesse ponto, os primitivos e calvinistas estão juntos em sua critica a ideia de uma expiação universal.
Expiação particular versus expiação Universal.
Problema: a expiação universal torna a expiação uma possibilidade.
Defesa: A morte de Cristo foi destinada apenas a salvação dos eleitos.
Qual - o propósito- da crucificação no mundo real? Uma vez que foi planejado na mente de Deus escolher os eleitos, o efeito final disso é a salvação dos eleitos.
O ponto nevrálgico diz respeito a concepção de expiação. Se a morte de Jesus foi uma expiação real para o pecado do povo eleito, o grande resultado será a liberação dos eleitos e somente deles da penalidade do pecado.
Se há redenção real, a pessoa redimida precisa ser colocada em liberdade.
Os calvinistas de quatro pontos advogam que que Cristo morreu por todas as pessoas (redimíveis), mas apenas os eleitos receberão a salvação no final.
Os calvinistas de 4 pontos erram quando ficam no campo hipotético pensando no que aconteceria se todas as pessoas cressem (seriam salvas), quando sabem que isso nunca acontecerá no mundo real. E não acontecerá porque Deus escolheu um povo para si. Os defensores dessa posição dispensam a depravação total do campo hipotético.
Se Deus amasse todas as pessoas com o mesmo tipo de amor (amor complacente – consideração minha) a ponto de conceber que seu próprio Filho morresse por eles, então seria totalmente impensável que Deus não fizesse qualquer coisa para livrá-los da condenação eterna (Rm 8.32).
O que seria mais incoerente com a eternidade e a imutabilidade de Deus, amar o réprobo da mesma forma que ama o eleito e depois derramar sobre indignação e ira.
Como tal afirmação poderia ser conciliada com os textos que falam do amor eterno de Deus por nós (Jr 31.3; Ml 3.6; Rm 8.28-39; Hb 13.8).
João 6.37-40 – A morte de Cristo não foi indiscriminada, mas seus objetos são distinguidos por sua crença nele.
Muitos não creem porque não são suas ovelhas – (Jo 10.26).
Jesus deu a vida por suas ovelhas (Jo 15.11). As suas ovelhas ouvem a sua voz e o seguem (Jo 10.27).
Textos importantes sobre a expiação – Mt 1.21; Jo 10.11; Jo 11.51; Jo 15.13; Jo 17.1; Rm 8.32-33; Ef 5.23; Tt 2.14; Hb 9.15.
Observação: os batistas primitivos advogam que o descarrilar dos batistas das fileiras calvinistas para a arminiana se deve a ideia de Moses Amyraut defendidas e popularizadas pelos Fulleristas.
2. BATISTAS PRIMITIVOS E O AMOR DE DEUS
Observei das leituras que os batistas primitivos, tem uma certa dificuldade de afirmar que Deus ama o réprobo. Observei também que eles não fazem qualquer distinção entre o amor benevolente e complacente.
Advogam que uma vez que aqueles que persistem na incredulidade estão debaixo da ira de Deus, não há como afirmar que Deus ama o pecador.
Afirmam que nenhuma pregação dos apóstolos aos não convertidos dizia que Deus os amava em Cristo. Textos citados:
• At 2.14-39
• At 3.12-26
• At 4.8-12; At 7.2-53
• At 10.28-48
• At 13.16-41
• At 16.28-31
• At 17.22-31
• At 22.1-21; At 24.10-21
• At 26.2-29
Deus ama, ama absolutamente, ama incondicionalmente e ama para sempre os crentes e apenas os crentes.
Observação. No sentido em que eles estão apontando “um amor em Cristo”, nessa esteira Deus realmente ama só os eleitos. Contudo, isso não exclui o amor benevolente de Deus por suas demais criaturas (consideração minha).
Os eleitos estão debaixo do amor peculiar de Deus.
Sl 93.11-12; 1 Co 11.32; Hb 12.6-8; Ap 3.19.
3. BATISTAS PRIMITIVOS E A OFERTA GRATUITA
Outra dificuldade dos batistas primitivos é aceitar o uso dos termos “oferta gratuita do evangelho” ou “convite”. Preferem o termo “chamado”.
A mensagem do Evangelho é uma convocação a que o individuo creia em fatos objetivos sobre o salvador. Quando pecadores penitentes são levados a acreditar que Jesus é a solução para o pecado, então a Biblia lhes promete que Jesus é a solução para o pecado.
Os não eleitos nunca acreditarão nisso. Para esses Deus envia a sua palavra pregada para torna-los indesculpáveis e para demonstrar a natureza indigna e corrupta deles (Fl 1.28; 2 Co 2.15-16; Lc 11.49,50; Jo 9.39; At 7.52; Mt 23.34; Jr 1.17-19; Ez 3.1-7).
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