Importa considerar a forma como
a teologia reformada tradicional estrutura os pactos. Em síntese, identifica-se
um tríplice distinção: a aliança da redenção, estabelecida eternamente entre as
pessoas da Trindade; a aliança da criação (ou pacto de obras), firmada com Adão
antes da queda; e a aliança da graça, por meio da qual Deus salva os crentes em
Cristo.
As demais alianças bíblicas, noética,
abraâmica, mosaica e davídica, são compreendidas, na tradição reformada
clássica, como administrações históricas desse arranjo mais amplo (HORTON,
2010, p. 61).
Convém explicitar uma distinção
hermenêutica relevante. Uma boa parte da teologia bíblica contemporânea,
especialmente em autores como Gentry e Wellum (credobatistas), tende a
enfatizar um movimento interpretativo que ressalta mais a descontinuidade e
distinção entre as alianças do que a sua continuidade. O mesmo ocorre com o
aliancismo de 1689, embora, com alguma diferença, como exemplo o uso dos termos
da teologia reformada tradicional “pacto de obras e de graça” e continuidade da
lei moral na Nova Aliança.
Por outro lado, a teologia
reformada clássica, sem negar essa progressividade, estrutura sua leitura a
partir da unidade orgânica das alianças, percebendo o Antigo Testamento como
fundamento que encontra seu cumprimento no Novo, sem ruptura substancial na
administração da aliança da graça. Trata-se, portanto, menos de oposição e mais
de ênfases distintas quanto ao ponto de partida e à direção da leitura
canônica.
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