Apesar da resistência de parte
da teologia contemporânea quanto ao pacto estabelecido com Adão (HORTON, 2010,
p. 65) [1],
não há razão consistente para hesitação em afirmar a existência de uma
verdadeira aliança de obras. Ao contrário, trata-se de elemento estruturante da
teologia bíblica, cuja má compreensão compromete todo o desenvolvimento
posterior da doutrina.
Nesse sentido, sustenta-se que o
pacto de obras possui importância decisiva, de modo que aquele que não o
compreende corretamente tende a se perder na interpretação das demais verdades
reveladas. A sua correta apreensão fornece a base necessária para a compreensão
tanto da queda quanto da redenção.
Na teologia da Confissão de Fé
de Westminster, a relação entre o pacto de obras e a obra de Cristo é
construída de forma implícita, a partir da articulação interna dos seus
capítulos (cf. cap. VII, §§2–3; cap. VIII, §§4–5; cap. XI, §1; cap. XIX,
§§1–2). Trata-se, portanto, de uma conclusão teológica necessária, extraída da
coerência interna do sistema confessional.
A Confissão estabelece que Deus
fez com Adão um pacto de obras, no qual a vida foi prometida sob a condição de
obediência perfeita (cap. VII, §2; cap. XIX, §1). Com a queda, o homem
tornou-se incapaz de alcançar essa vida por meio desse pacto, permanecendo sob
sua exigência e condenação (cap. VII, §3).
É nesse contexto que se insere a
obra de Cristo. Apresentado como Mediador do pacto da graça, Ele não apenas
remove a culpa do pecado, mas também cumpre plenamente as exigências da lei e
satisfaz a justiça divina (cap. VIII, §§4–5; cap. XI, §1), realizando aquilo
que o homem, em estado caído, já não pode cumprir.
A exposição desse pacto pode ser
organizada em três aspectos fundamentais: primeiramente, o estado do homem
antes da queda; em seguida, o pecado e seus efeitos imediatos; e, por fim, a
forma como Deus tratou o homem após a queda. Essa estrutura permite compreender,
de forma ordenada, a lógica pactual que governa o início da história redentiva
e prepara o terreno para o desenvolvimento das alianças subsequentes.
[1] Horton (2010,
p.67) advoga que os primeiros defensores da teologia federal reconheciam
claramente que as alianças de obras e graça surgiram de um compromisso anterior
que tinham com a distinção entre lei e evangelho.
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