quinta-feira, 7 de agosto de 2025

DA EXISTÊNCIA CONTINUADA DA ALMA (APÓS A MORTE)

Quem já caminha algum tempo na comunidade cristã certamente já se deparou com debates acerca da doutrina da imortalidade da alma. De um lado, há quem sustente que se trata de um conceito de origem predominantemente grego, estranho à cosmovisão hebraica, devendo, por isso, ser rejeitado. De outro, há aqueles que defendem que a imortalidade seria um dom exclusivo dos salvos, enquanto os ímpios seriam destinados à aniquilação.

Nosso propósito, primeiramente, é demonstrar que a Bíblia evidencia a existência continuada de crentes e ímpios após a morte. Nossa defesa, portanto, afasta a ideia de aniquilação, sustentando a doutrina da danação eterna dos impios.

Em segundo lugar, pretendemos verificar o uso do termo “imortalidade da alma”  e possíveis distinções quando referente a Deus, ao salvo e ao ímpio..


1. DA EXISTÊNCIA CONTINUADA DOS ÍMPIOS E CRENTES

Malgrado o homem seja uma unidade substancial, ou seja, ele não é uma alma sem corpo, nem a um corpo sem alma, sabe-se, contudo, que a morte impõe certa ruptura a essa unidade. A Bíblia nos ensina evidentemente uma distinção a parte material e a parte imaterial do homem. Tal como podemos depreender dos textos a seguir:


Eclesiastes 12:7 - "E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu." (ARA)

2 Coríntios 5:8 - "Temos, portanto, bom ânimo, preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor." (ARA)

Mateus 10:28 - "Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo." (ARA)


Os textos acima também demonstram uma certa continuidade da existência mesmo após a separação temporária da alma e corpo. Em todos eles, percebe-se que a alma não é aniquilada nem entra em um estado de inconsciência, mas continua a existir em estado consciente. Os textos a seguir também indicam ser esse o caso.  


Apocalipse 6:9-10 - "Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus [...] e clamavam em grande voz [...]" (ARA)

Lucas 23:43 - "Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso." (ARA)

Filipenses 1:23 - "Ora, de um e outro lado estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor." (ARA)


Essas passagens formam um conjunto robusto de evidências em favor da imortalidade da alma ou melhor dizendo, da continuidade pessoal e consciente após a morte.

A pergunta que fica é se essa existência continuada também abrande os ímpios, entendo que sim. As expressões "tormento eterno" (Mt 25:46);"fogo que nunca se apaga" (Mc 9:43),"verme que não morre" (Mc 9:48), "castigo eterno" (Mt 25:46) parecem apontar para uma existência "não bem-aventurada" após a morte.

O texto de Mateus 25:46 (ARA), em especial, faz um paralelismo intencional, com destinações opostas e perpétuas e "E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna."

Daniel 12:2 (ARA) - “Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna e outros para vergonha e horror eterno.”

A parábola do Rico e Lázaro (Lucas 16:19-31) é particularmente significativa para esse debate, pois, ainda que seja uma parábola, Jesus a utiliza como meio legítimo de revelação sobre realidades espirituais. Ela não apenas afirma a continuidade da existência após a morte, mas o faz de maneira a mostrar a consciências da existência dos personagens, num destino pós-morte, tanto para o justo quanto para o ímpio.

Acrescenta-se textos que apontam para um julgamento post-mortem.

Hebreus 9:27 - “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo.” (ARA)

Apocalipse 20:12-15 – "E os mortos foram julgados, segundo as suas obras [...] E todo aquele que não foi achado inscrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo." (ARA)

Isso mostra que expressões tais como "perecer", "segunda morte", "destruição" não denotam aniquilamento, uma vez que os dados da revelação comprovam uma existência continuada dos impios mesmo após a morte.


2. REALIDADE TANTO NO ESTADO INTERMEDIÁRIO QUANTO NO ESTADO ETERNO

3. DA DANAÇÃO ETERNA

[...] CONTINUA

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