Existe uma purificação objetiva e uma purificação subjetiva, ambas enraizadas na obra de Cristo, mas aplicadas de maneiras distintas na vida do crente. Essa distinção reflete diferentes aspectos da salvação: a justificação e a santificação.
1. Purificação Objetiva
A purificação objetiva é aquela que ocorre uma vez por todas na justificação. Ela é baseada na obra consumada de Cristo, que purifica o crente de toda culpa perante Deus. Essa purificação é judicial, completa e definitiva, garantindo a aceitação do crente diante de Deus.
- Hebreus 9:14: "Muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas para servirmos ao Deus vivo."
- Hebreus 10:10: "Temos sido santificados, pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez por todas."
Essa purificação é um ato monergístico (obra exclusiva de Deus) e não depende da contribuição do crente. Trata-se de um fato consumado e imutável.
2. Purificação Subjetiva
A purificação subjetiva é aquela que ocorre progressivamente na santificação. Aqui, o Espírito Santo aplica os méritos de Cristo na vida do crente de maneira contínua, operando a transformação interna e moral, livrando-o do poder do pecado. É um processo dinâmico que envolve a cooperação do crente com a graça de Deus.
- 1 João 1:7: "Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado."
- 2 Coríntios 3:18: "E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito."
Essa purificação subjetiva é progressiva e evidencia o crescimento na graça e no conhecimento de Cristo (2 Pedro 3:18).
Conclusão
Ambas as purificações são aspectos essenciais da salvação. A purificação objetiva garante a posição do crente como justo diante de Deus, enquanto a purificação subjetiva molda o caráter do crente à imagem de Cristo. Essa distinção, devidamente compreendida, evita erros como o perfeccionismo (que ignora a luta contra o pecado) ou a antinomia (que negligencia o chamado à santidade).
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