WOLTER. Albert M. A Criação Restaurada. São Paulo: Cultura Cristã, 2019. 112p.
Trata-se de uma obra pequena acerca da base bíblica da cosmovisão cristã. O livro está dividido em 5 capítulo e uma conclusão.
No primeiro capítulo, o autor procura apresentar uma definição do significado de cosmovisão que é a estrutura compreensiva da crença de uma pessoa sobre as coisas, ou seja, de Deus, do mundo, da vida humana em geral, do significado do sofrimento, do valor da educação, da moralidade social e da importância da família. Essas "crenças básicas" tendem a formar uma estrutura ou padrão que aparece toda vez que somos confrontados com situações práticas como, por exemplo, os temas politicas atuais ou diante de convicções incompatíveis com ela.
Segundo o autor, a cosmovisão funciona como uma guia para a nossa vida, uma vez que ela nos dá noção do que é positivo ou negativo, certo ou errado. Trata-se de um "Credo" para a vida, uma perspectiva diretiva. Geralmente nos atitudes refletem essas crenças, assim sendo, quando essas duas coisas (atos e crenças) não estão em sintonia, tendemos a mudar os nossos atos ou nossas crenças.
A cosmovisão do cristão deve ser moldada pelas Escrituras, uma vez que a Bíblia não se restringe a moldar apenas a nossa teologia, mas se relaciona também as questões seculares. Os conceitos básicos da teologia oriundos da revelação Bíblica devem ser entendidos como constituintes da nossa cosmovisão.
A diferença básica da cosmovisão reformada em relação a outras visões de mundo cristãs, é que ela não é dualista, ou seja não divide as coisas em dois domínios: secular e sagrado.
A afirmação básica da cosmovisão reformada envolve três dimensões:
- CRIAÇÃO: (i) a criação original boa;
- QUEDA; (ii) a perversão básica da criação pelo pecado; e a
- REDENÇÃO: (iii) a restauração da criação em Cristo;
O segundo capítulo trata da atividade soberana do Criador ao originar, sustentar, guiar e dominar o mundo.
1. Deus não só criou todas as coisas totalmente e indiscutivelmente boa.
2. Deus também estabeleceu a lei da criação, a qual representa a totalidade dos atos ordenadores de Deus. É uma manifestação da soberania de Deus na criação. Deus é aquele que estabelece uma ordem mundial (Sl 147.15-20).
O capítulo terceiro ensina sobre a queda.
1. A queda foi um acontecimento de significado catastrófico para a criação como um todo.
2. Os efeitos do tocaram toda a criação.
3. O bom trabalho da mão de Deus foi arrastado para a esfera da rebelião humana contra Deus.
4. As boas possibilidades da criação de Deus são mail usadas, distorcidas e exploradas para fins pecaminosos.
5. Onde quer que exista algo errado humano, qualquer coisa que experimentamos como antinormativo, mau, distorcido ou doentio, ai encontramos a perversão da boa criação de Deus.
todo mal e toda perversidade no mundo são basicamente resultados da queda, da sua recursa em viver de acordo com a boa criação de Deus.
6. A criação, na sua totalidade, está presa na agonia da antinormalidade e da distorção, embora um dia vá ser libertada.
7. Toda a criação participa do drama da queda do homem e da libertação completa em Cristo.
8. O pecado não anula a criação nem se identifica com ela.
9. O pecado se apega a criação como um parasita.
10. Embora o mal exista apenas como uma distorção do bem, nunca redutível ao bem.
11. Estrutura: a estrutura se refere á ordem da criação, é ancorada na lei da criação.
12. Direção: A direção designa a ordem do pecado e da redenção, a distorção ou perversão da criação pela queda por um lado e da redenção e restauração da criação em Cristo por outro. Qualquer coisa na criação pode ser direcionada para Cristo ou para longe de Cristo - isto é direcionada para a obediência ou a desobediência á sua lei.
13. A redenção em Jesus Cristo é o antidoto completo e decisivo para a distorção criacional.
14. Alguns teólogos chamam o controle do pecado e seus efeitos da "graça comum" de Deus.
15. A palavra mundo designa a totalidade da criação infectada pelo pecado.
16. Mundo é a depravação da terra a antítese da bondade criacional.
17. O pecado é um parasita sobre a criação e não parte dela; e que a medida que afeta a terra, o pecado profana todas as coisas, tornando as mundanas. consequentemente, cada área do mundo criado clama por redenção.
O capítulo 4 trata acerca da Redenção:
1. A redenção obtida por Cristo é cosmica no sentido que restaura toda a criação.
2. A graça restaura a natureza, tornando-a integra novamente.
3. Todas as coisas foram arrastadas para o motim da raça humana e sua inimizade contra Deus. A redenção de Cristo remove os efeitos do pecado.
4. Assim como a queda do homem (Adão) foi a ruína de todo o domínio terreno, do mesmo modo a morte expiatória de um homem (Jesus Cristo, o segundo Adão) é a salvação do cosmos.
5. A vinda do reino é o clímax de toda a história da redenção
6. O reino de Deus, assim, traz a lembrança o rei legitimo que governa o seu território, a criação.
7. A vinda do reino significa a restauração da criação.
8. A religião bíblica vê todo o curso da história como um movimento a partir de um jardim em direção a uma cidade e, fundamentalmente, assegura esse movimento.
9. A redenção assim é a recuperação da bondade criacional por meio da anulação do pecado e do esforço rumo á remoção progressiva de seus efeitos em todos os lugares.
O capitulo 5 nos apresenta a distinção entre estrutura e direção.
1. A tarefa do cristão é discernir estrutura e direção.
2. A estrutura denota "essência" de algo criado, o tipo de criatura que é pela virtude a lei criacional de Deus.
3. A direção, pelo contrário, refere-se ao desvio pecaminoso dessa ordenança estrutural e conformidade renovada a ela em Cristo.
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