Por
Aldair Ramos Rios
Pesquisando comentários sobre Romanos 11 acabei me deparando com a
seguinte afirmação:
[...] na
visão reformada do batismo infantil, a criança fica debaixo do conserto, mas
não está absolvida nem do pecado Original, muito menos salva pelo batismo –
está na mesma condição de um filho de um judeu que fora circuncidado e debaixo
da promessa [...] (1)
De acordo com esse entendimento é possível estar na aliança da graça e ao
mesmo tempo permanecer sob a culpa do pecado, vez que, a situação dos filhos
dos crentes sob a Nova Aliança equipara-se à condição do filho de um judeu
circuncidado sob a Antiga Aliança.
Vale lembrar que na Antiga Aliança era possível ser membro da comunidade
da aliança simplesmente por ter nascido nela. Alguns dos que cresciam se
tornavam crentes, outros não (GENTRY; WELLUM, 2021, p.247-248) e a circuncisão
era dada independentemente da regeneração, apenas com base no fato de serem
descendentes físicos de Abraão (2).
Desse modo, tínhamos salvos e não salvos, crentes e descrentes e todos
os descendentes eram participantes da Aliança e da comunidade.
Os Batistas advogam que isso não acontece na Nova Aliança, pois o Senhor
promete que todos o conhecerão. Incluir a descendência física no Novo Pacto é
transportar um padrão da Antiga Aliança para a Nova Aliança de forma
injustificada (3).
Na Nova Aliança é prometido o Novo Nascimento de todos os seus membros
“[...] todos me conhecerão [...]” (Hb 8.11).
Desse modo, apenas os crentes são membros da comunidade da Nova Aliança,
inexistindo possibilidade de pessoas não regeneradas em seu meio. Não se pode
confundir o sistema do Novo Pacto com a do Pacto abraâmico, pois não são
iguais. No primeiro, reprise-se, a membresia é definida pelo nascimento físico
e o sinal é a circuncisão, a Nova Aliança é marcada pelo nascimento espiritual
cujo sinal é o Batismo (4).
Como bem compreendeu Coxe (5) não há qualquer possibilidade de alguém
participar do pacto de graça sem ser regenerado. Os participantes da aliança de
graça são aqueles que colocaram sua fé em Cristo. Esse é o caminho eterno de salvação
estabelecido de acordo com o caráter desta aliança, o da fé em Cristo Jesus.
As coisas são assim em razão da instituição divina. O Senhor estabeleceu
um pacto verdadeiramente Novo com termos próprios, documento próprio e
membresia definida.
Por essa razão, o padrão a ser adotado pela Igreja, não é o da membresia
mista praticado pelo antigo Israel na aliança abraâmica, mas o modelo
apresentado pela Nova Aliança que reflete a multidão aperfeiçoada da Nova
Jerusalém. O sinal da aliança deve ser dado somente a aqueles que conhecem
salvíficamente o Senhor. É loucura colocar a confiança da participação na aliança
de uma criança (ou de um adulto) por meio de um sinal, pois não é isso que
coloca uma pessoa numa posição favorável diante de Deus. Nossa confiança deve
se apoiar em Cristo, na relação pessoal com ele, que é a única base da nossa confiança
perante o trono branco. O batismo infantil não pode ajudar a alma incrédula se
tornar crente, assim como a circuncisão não fez, por isso, não tem utilidade
alguma (6).
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Referências:
(1) OLIVEIRA, Alberto – Romanos 11:22-24 ensina que a salvação pode ser
perdida? – Blog Bereianos. Disponível em: << https://bereianos.blogspot.com/2016/11/romanos-1122-24-ensina-que-salvacao.html>>.
Acesso em: 16 de agosto de 2023.
(2) WALDRON, Samuel E. Um
Manifesto Batista Reformado: A Nova Aliança como Consti-tuição da Igreja. O
Estandarte de Cristo, 2021, Edição do Kindle, p.70.
(3) VEGA,
Jorge A. Rodríguez; TORREALBA, Luis J. Por qué el Bautismo de Infantes No es
Bíblico. Legado Bautista Confesional, 2021 Disponível em:
<https://legadobautistaconfesional.com/por-que-el-bautismo-de-infantes-no-es-biblico/>.
Aces-so em: 26 de junho de 2022.
(4) GENTRY,
Peter J; WELLUM, Stephen J. O reino de Deus Através das Alianças: uma teologia
bíblica concisa. Tradução de Susana Klassen. São Paulo: Vida Nova, 2021, p.248.
(5) COXE,
Nehemiah; OWEN, John. Teologia Pactual: de Adão a Cristo. Ed. Ronald D. Miller,
James M. Renihan, Francisco Orozco. Francisco Morato, SP: O Estandarte de
Cristo, 2021, p.136.
(6) WALDRON,
Samuel E. Um Manifesto Batista Reformado: A Nova Aliança como Consti-tuição da
Igreja. O Estandarte de Cristo, 2021, Edição do Kindle, p.70-73
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