quinta-feira, 17 de agosto de 2023

EXISTEM PESSOAS NÃO SALVAS NO PACTO DE GRAÇA?


Por Aldair Ramos Rios

 

Pesquisando comentários sobre Romanos 11 acabei me deparando com a seguinte afirmação:

[...] na visão reformada do batismo infantil, a criança fica debaixo do conserto, mas não está absolvida nem do pecado Original, muito menos salva pelo batismo – está na mesma condição de um filho de um judeu que fora circuncidado e debaixo da promessa [...] (1)

 

De acordo com esse entendimento é possível estar na aliança da graça e ao mesmo tempo permanecer sob a culpa do pecado, vez que, a situação dos filhos dos crentes sob a Nova Aliança equipara-se à condição do filho de um judeu circuncidado sob a Antiga Aliança.

 

Vale lembrar que na Antiga Aliança era possível ser membro da comunidade da aliança simplesmente por ter nascido nela. Alguns dos que cresciam se tornavam crentes, outros não (GENTRY; WELLUM, 2021, p.247-248) e a circuncisão era dada independentemente da regeneração, apenas com base no fato de serem descendentes físicos de Abraão (2).

 

Desse modo, tínhamos salvos e não salvos, crentes e descrentes e todos os descendentes eram participantes da Aliança e da comunidade.

 

Os Batistas advogam que isso não acontece na Nova Aliança, pois o Senhor promete que todos o conhecerão. Incluir a descendência física no Novo Pacto é transportar um padrão da Antiga Aliança para a Nova Aliança de forma injustificada (3).

 

Na Nova Aliança é prometido o Novo Nascimento de todos os seus membros “[...] todos me conhecerão [...]” (Hb 8.11).

 

Desse modo, apenas os crentes são membros da comunidade da Nova Aliança, inexistindo possibilidade de pessoas não regeneradas em seu meio. Não se pode confundir o sistema do Novo Pacto com a do Pacto abraâmico, pois não são iguais. No primeiro, reprise-se, a membresia é definida pelo nascimento físico e o sinal é a circuncisão, a Nova Aliança é marcada pelo nascimento espiritual cujo sinal é o Batismo (4).

Como bem compreendeu Coxe (5) não há qualquer possibilidade de alguém participar do pacto de graça sem ser regenerado. Os participantes da aliança de graça são aqueles que colocaram sua fé em Cristo. Esse é o caminho eterno de salvação estabelecido de acordo com o caráter desta aliança, o da fé em Cristo Jesus.

 

As coisas são assim em razão da instituição divina. O Senhor estabeleceu um pacto verdadeiramente Novo com termos próprios, documento próprio e membresia definida.

 

Por essa razão, o padrão a ser adotado pela Igreja, não é o da membresia mista praticado pelo antigo Israel na aliança abraâmica, mas o modelo apresentado pela Nova Aliança que reflete a multidão aperfeiçoada da Nova Jerusalém. O sinal da aliança deve ser dado somente a aqueles que conhecem salvíficamente o Senhor. É loucura colocar a confiança da participação na aliança de uma criança (ou de um adulto) por meio de um sinal, pois não é isso que coloca uma pessoa numa posição favorável diante de Deus. Nossa confiança deve se apoiar em Cristo, na relação pessoal com ele, que é a única base da nossa confiança perante o trono branco. O batismo infantil não pode ajudar a alma incrédula se tornar crente, assim como a circuncisão não fez, por isso, não tem utilidade alguma (6).

 

 

 

 

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Referências:


(1) OLIVEIRA, Alberto – Romanos 11:22-24 ensina que a salvação pode ser perdida? – Blog Bereianos. Disponível em: <<
https://bereianos.blogspot.com/2016/11/romanos-1122-24-ensina-que-salvacao.html>>. Acesso em: 16 de agosto de 2023.  

 

(2) WALDRON, Samuel E. Um Manifesto Batista Reformado: A Nova Aliança como Consti-tuição da Igreja. O Estandarte de Cristo, 2021, Edição do Kindle, p.70.

(3) VEGA, Jorge A. Rodríguez; TORREALBA, Luis J. Por qué el Bautismo de Infantes No es Bíblico. Legado Bautista Confesional, 2021 Disponível em: <https://legadobautistaconfesional.com/por-que-el-bautismo-de-infantes-no-es-biblico/>. Aces-so em: 26 de junho de 2022.

 

(4) GENTRY, Peter J; WELLUM, Stephen J. O reino de Deus Através das Alianças: uma teologia bíblica concisa. Tradução de Susana Klassen. São Paulo: Vida Nova, 2021, p.248.

 

(5) COXE, Nehemiah; OWEN, John. Teologia Pactual: de Adão a Cristo. Ed. Ronald D. Miller, James M. Renihan, Francisco Orozco. Francisco Morato, SP: O Estandarte de Cristo, 2021, p.136.

 

(6) WALDRON, Samuel E. Um Manifesto Batista Reformado: A Nova Aliança como Consti-tuição da Igreja. O Estandarte de Cristo, 2021, Edição do Kindle, p.70-73

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